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10 de junho de 2011 | Artigos

Transtorno de estresse pós-traumático
Por: Regina Gouvêa
O que são eventos traumáticos?
São fatos e situações que surpreendem o indivíduo ou, ao contrário, arrastam-se por um período de tempo longo até a exaustão. Desastres naturais, acidentes em geral, doenças, procedimentos médicos e hospitalares de rotina, perdas de seres amados, ataques de animais, assaltos, abusos, torturas, guerras, etc., configuram-se como eventos traumáticos que podem ou não causar traumas.

Quais as reações biológicas frente a eventos traumáticos?
Luta ou fuga são as reações naturais dos animais – dos insetos até os seres humanos – frente a um perigo ou ameaça. Quando estas respostas autonômicas não são possíveis, ocorre a imobilidade tônica, potencializada pelo medo. São estados de congelamento e paralisia. É o “fingir de morto” como defesa última frente ao aniquilamento.

Quando um evento traumático vira trauma?
Surpreendentemente o trauma não tem origem no evento traumático em si, mas na resposta do sistema nervoso que foi possível dar ao acontecimento tanto naquele momento, quanto seqüencialmente. Quando a pessoa não tem condições de agir frente a um perigo (luta, fuga ou mesmo congelamento), a resposta fica incompleta e o sistema nervoso se desorganiza, falha e aí o trauma se instala. O organismo perde as capacidades naturais de autorregulação, que faz a vida fluir. O denominador comum do trauma é um sentimento de medo intenso, impotência e perda de controle.

Qual seria uma vivência aparentemente banal do dia-a-dia que pode vir a ter conseqüências mais sérias?
Imagine uma criança “voando” alegre no balanço. De repente a corda arrebenta e a criança é lançada no chão. O susto e a dor são grandes, mas felizmente não houve seqüelas sérias. Dependendo do que ocorre no momento, o evento configura-se apenas como traumático ou transforma-se mesmo em trauma.

Como o evento acima pode resolver-se sem trauma?
O familiar, que está perto, vai até a criança, abaixa-se e fica ali dando apoio. Pede para ela ficar quietinha no chão até o susto passar, conforta-a com carinho e valida a dor, consola-a no choro, deixa-a tremer (que é bom para regular o organismo), verifica machucados e só a ajuda a levantar quando a criança acalmar. Estes são “primeiros socorros emocionais” que dificilmente deixam traumas.

Como o mesmo evento acima pode transformar-se em trauma?
A criança cai no chão e as outras crianças a apontam e “choram” de rir. Apesar da dor e dos machucados, ela engole a humilhação e tenta levantar rápido sorrindo. O adulto ou familiar que está perto, sai correndo, grita, levanta a criança, diz que não foi nada e ainda acaba passando uma bronca. Enquanto acontece toda esta agitação, ouve-se a sirene de um carro de bombeiro que passa por perto.
O tempo passa. A criança “perde” a vontade de balançar. Ao longo dos anos cada vez que ouve uma sirene de bombeiro, entra em sobressalto sem entender o porquê. Evita certos esportes e atividades que ameacem uma queda. Já adulto muitas vezes reage impulsivamente contra colegas em situações em que se sente apontado e ironizado, embora o evento em si não aparente ter tanta carga emocional. Eis alguns sintomas indicadores de um possível trauma.

Quando inicia o trauma?
Dr. Peter Levine, que é um dos grandes especialistas em transtorno de trauma, diz que o trauma é a causa do sofrimento humano mais negada, evitada, mal entendida, ignorada, confundida e mal curada. Crianças durante seu desenvolvimento podem ficar sobrecarregadas com acontecimentos diários comuns tanto quanto pessoas que passam por acidentes de automóveis, furacões, terremotos, sufocamento, afogamento, envenenamento, anestesias etc. O trauma nem sempre tem associações óbvias com o evento gerador (como é claro no caso de uma pessoa seqüestrada e confinada, que depois não suporta pegar elevador). Inúmeras vezes, o trauma fica escondido e, anos depois, envia mensagens através de sintomas somáticos e comportamentos psicológicos inadequados.

O que está presente no trauma que o diferencia de outras patologias?
Em resumo, trauma tem a ver com a perda de conexão com o mundo, seja com o próprio corpo, seja com as pessoas que estão em volta, seja pela evitação de certas situações e lugares.
É difícil reconhecê-lo porque não acontece de imediato. Instala-se devagarzinho e a pessoa vai se adaptando às mudanças sutis e graduais sem notá-las. Quando vê, suas escolhas estão limitadas, a liberdade fica constrita e há perda de vitalidade e potência para realizar desejos e sonhos.

Como tratar do trauma?
Quando as patologias não encontram diagnósticos médicos é imprescindível, muitas vezes em conjunto com o tratamento psiquiátrico, restaurar a capacidade inata do ser humano para a cura. Não se trata de adaptar comportamentos a situações e sim de desenvolver novamente a habilidade de entrar na corrente saudável da vida.
A Somatic Experiencing (SE ou Experiência Somática), desenvolvida pelo Dr. Peter Levine, tem demonstrado não só que o trauma é curável, mas que é um portal para uma profunda transformação de vida.

Quais as bases da Somatic Experiencing * (SE) para o tratamento terapêutico de trauma?
A chave para tratar do trauma está na fisiologia humana, que deveria funcionar tal qual a dos animais. É fato que, em seu habitat natural, raramente os animais ficam traumatizados. Quando são ameaçados e sobrevivem a ataques de outros, compensam o estresse – depois de passado o perigo – descarregando instintivamente a alta carga energética gasta na defesa: tremem, chacoalham, saltam e sacodem para fora os efeitos residuais do estresse, através de movimentos involuntários. Depois retomam sua vida como se nada tivesse acontecido. O sistema nervoso autônomo, que é o mais primitivo, responde competentemente às necessidades do organismo.

Porque os humanos traumatizam mais que os animais?
O homem vem equipado com um cérebro trino extremamente sofisticado: o cérebro primitivo igual ao dos animais, também chamado de reptiliano, que cuida dos mecanismos instintivos de defesa; o cérebro límbico que governa as emoções, presente nos humanos e em alguns mamíferos e, o neocortex, responsável pelo conhecimento, linguagem, pensamento e fala. O fato é que quando “o bicho pega”, a sofisticação da parte racional e emocional atrapalha o instinto de defesa e o sistema todo acaba comprometido.

Qual a definição de trauma?
Freud definiu trauma como uma ruptura na barreira de proteção contra a estimulação, acarretando sentimentos avassaladores de impotência.
Peter Levine (Somatic Experiencing, SE) diz que o trauma acontece quando o organismo é forçado além da sua capacidade adaptativa para regular os estados de ativação. Sem condições de se recompor, o sistema apresenta uma fixação global e uma perda importante na capacidade rítmica de autorregulação.
Simplificando, trauma seria a energia excessiva no corpo que não foi descarregada após um evento traumático. Movimentos que não foram completados causam distúrbios biológicos, psicológicos, emocionais, mentais e comportamentais.

Quais os efeitos do trauma?
O trauma altera a química cerebral, disparando mudanças hormonais e aumentando a produção de adrenalina, cortisol e opiáceos no organismo. O excesso de energia não descarregada afeta os reflexos defensivos e acaba trazendo uma série de sintomas corporais, mentais e psicológicos.

Como é o trabalho terapêutico com o trauma?
“A natureza não nos esqueceu, nós é que a esquecemos” (Peter Levine).
O sistema nervoso de uma pessoa traumatizada não está danificado e sim congelado. Uma maneira de se reconectar com o processo instintivo de energia interrompido pelo trauma é pelo desenvolvimento da experiência de “felt sense” ou sensopercepção, capaz de trazer vitalidade para as experiências e resolução de trauma. O foco para tratamento está na reabilitação das respostas do nosso sistema instintivo e não no conteúdo do acontecimento que provocou o trauma.

Como funciona o “felt sense” ou sensopercepção?
Felt sense ou sensopercepção é a atividade reflexa das sensações, ou seja, é perceber que está percebendo. Através da sensopercepção fica-se mais presente e focado, com os cinco sentidos funcionando em harmonia, com noção de eixo e equilíbrio, bom senso de orientação, enfim em boas condições para a capacidade inata de cura.

Porque o trauma se repete?
É comum ver situações traumáticas se repetirem de mesma forma: uma pessoa que é assaltada três vezes saindo do trabalho; outra que tem acidentes no trânsito sempre do lado esquerdo do carro; uma terceira com quedas repetidas e conseqüentes fraturas expostas… Ocorre é que o natural seria ter dado uma resposta adequada ao primeiro evento de modo que o sistema nervoso do indivíduo não ficasse sobrecarregado e com excesso de energia presa no organismo. O desejo inconscientemente de resolver o trauma acaba atraindo o indivíduo para uma situação semelhante: o trauma passa a ser um atrator, que a Somatic Experiencing denomina como “vórtice de trauma”.

Qual o caminho da cura?
O antídoto do vórtice de trauma está no vórtice de cura, que tem a ver com a capacidade inata para tratar a tragédia. Há técnicas para lidar com a espiral do vórtice de trauma e fazer com que nosso corpo, cérebro e sistema nervoso alcancem equilíbrio, harmonia, segurança e bem-estar. Elas ajudam a descarregar o excesso de energia presa e re-equilibra os hormônios necessários tanto para defesa como para relaxamento pós-estresse.

Existem categorias diferentes de trauma?
Sim é possível fazer uma classificação em categorias diversas:
1. alta intensidade: sofrimento fetal, parto traumático, cirurgias precoces, anestesia, febre alta, sufocamento, engasgamento e afogamento;
2. alto impacto/falha na defesa física: quedas, lesão na cabeça, acidentes com veículos motores
3. ataque inescapável por animais, estupro/ abuso sexual, fuga inibida
4. lesão física por cirurgia, envenenamento e queimaduras
5. desastres naturais ou provocadas pelo homem: furacões, terremotos, tortura, guerra, terrorismo
6. trauma emocional

O que é estresse pós-traumático e quais os sintomas característicos?
O chamado transtorno de estresse pós-traumático – TEPT ou PTSD, em inglês – aparece após um tempo do evento que provocou um trauma. Apresenta um complexo de sintomas tais como falta de confiança nas próprias percepções; limitação de espaço; ansiedade; sentimentos de impotência e, em certos casos, de humilhação, vergonha e culpa; controle excessivo; incapacidade de recuperar fisiologicamente o fluxo normal da vida, etc.

Quais são as necessidades básicas universais a serem restauradas após o trauma?
Segurança, autonomia, auto-imagem e auto-estima positiva e respeitável, competência, eficiência e potência, confiança em si e no outro, validação das próprias experiências, senso de realidade e justiça.

Levine,P.”Healing Trauma” A Pioneering Program for Restoring the Wisdom of your Body”, SOUNDS TRUE, Boulder, Colorado
Ross,G.”Beyond the Trauma Vortex into the Healing Vortex”, A guide for psychology & education,sponsered by The International Trauma-Healing Institute


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