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3 de setembro de 2010 | Artigos

Entrevista concedida por Peter Levine a Gustavo Prudente

Terapia criada pelo americano Peter Levine ajuda a eliminar a energia acumulada nos eventos traumáticos.
O trauma faz parte da condição humana. Essa é a tese defendida por Peter Levine, 64, terapeuta americano que há cerca de trinta anos trabalha com o tema. Ao se questionar por que somente os humanos padecem desse problema, muito embora os animais passem diariamente por situações de perigo, Levine percebeu que nós, ao contrário dos animais, somos em muitos casos inibidos de completar o ciclo fisiológico natural do corpo após um evento traumático. Segundo o terapeuta, o acúmulo de energia depois de situações estressantes é eliminada espontaneamente pelos bichos por meio de reações como tremores, enquanto nós podemos manter a energia congelada por anos, dando vazão a sintomas que vão de dores crônicas a pânico e depressão.
Para ajudar as pessoas a eliminar gradativamente esse acúmulo de energia, Levine criou a Experiência Somática, abordagem que hoje conta com cerca de 1800 profissionais em cerca de 18 países – 200 só no Brasil. Seu livro mais famoso, “O Despertar do Tigre” (Editora Summus), foi traduzido para 11 línguas e explica as bases de suas teorias.
Se você fosse fazer um relatório sobre o trauma nos últimos 30 anos, qual seria o resultado?
A definição atual do trauma nos levou para longe da experiência do que realmente é. Entre os indígenas, na América do Sul, havia muito conhecimento sobre o trauma, e eles o chamavam de “susto”, para usar o termo em português. Isso realmente expressa o sentimento do que ele realmente é. O trauma é parte da condição humana. Mesmo quando não existem guerras ou desastres naturais horríveis, ainda assim nosso sistema nervoso pode se sobrecarregar, a ponto de colapsar. Então, acho que um relatório sobre o trauma teria de dizer que a situação geral está pior. E quando as pessoas estão traumatizadas, elas tendem a reagir de duas formas: ou ficam doentes e desenvolvem sintomas ou elas atuam o trauma, geralmente por meio da violência.
O que é pior: o aumento de situações traumáticas ou a diminuição da nossa capacidade de deixar o organismo lidar com elas?
A violência não muda rapidamente, nem os desastres naturais – eles só vão piorar. A questão é como ajudar as pessoas a não se tornarem traumatizadas. Nós enviamos dez terapeutas, para a Tailândia e a Índia, após a tsumani, para trabalhar com crianças e adultos que perderam seus familiares. O impressionante é que num período curto de tempo, às vezes menos de uma hora, essas pessoas foram capazes de evoluir do choque e da completa impotência para engajar-se de novo em suas vidas. Você podia ver em seus rostos e em seus corpos que eles estavam experimentando alegria. Uma mulher nos disse: “agora eu posso ir procurar meus filhos”, referindo-se ao lugar onde eles mantinham os corpos das vítimas. Atualmente, também estamos trabalhando com as vítimas do furacão Katrina, nos Estados Unidos.
E como foi feito esse trabalho?
Trabalhamos com algumas pessoas individualmente, e boa parte de forma não-verbal. Como muita coisa está no corpo, pois se tratam de respostas biológicas e fisiológicas, quando guiamos as pessoas a ir além dessas respostas, não usamos muita conversa. Não analisamos demais as coisas.
Todo trauma pode ser curado, ou há traumas com os quais é muito difícil lidar?
Sim, há traumas muito difíceis de lidar. A negligência e a brutalidade durante a infância são, na verdade, os traumas mais profundos. Podemos ajudar essas pessoas, e de forma excelente, algumas vezes. Mas acho que, para elas, é uma grande luta, muito embora elas possam ser curadas. Temos trabalhado, inclusive, com psicóticos. Mas isso exige habilidades especiais e tempo – talvez um a três anos de terapia.
Sua terapia é muito diferente da terapia analítica e da terapia catártica. Por que isso? Esses outros tipos de terapia podem contribuir para agravar o trauma?
Comumente, quando há muito trabalho catártico, a pessoa pode retraumatizar, porque ela revive o que aconteceu, e o sistema nervoso não consegue diferenciar quando é real e quando você está revivendo. E quanto a falar… Veja, a parte do cérebro que é afetada pelo trauma é a parte primitiva – o cérebro límbico e instintivo. Então, as palavras não possuem nenhum efeito aí – mas a consciência sim. Você pode usar as palavras para ajudar as pessoas a ficarem conscientes. Na verdade, nós encorajamos as pessoas que já fazem outras terapias a incorporarem o que nós ensinamos.
Você tem alguma dica para que as pessoas previnam o trauma?
Em muitos casos, depois que coisas assustadoras acontecem com as pessoas, elas vão chacoalhar e tremer e têm sentimentos variados. E isso é parte do processo de cura. Nesse caso, a pessoa que está com elas deve dizer: “está tudo bem, deixe isso acontecer”, ou até mesmo embalá-las – talvez não fisicamente, como você embala um bebê, mas embalá-las com a sua presença.

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